A Nasa lançou na quarta-feira (1º) a Missão Artemis II, em que um grupo formado por quatro astronautas foi enviado à órbita da Lua. Na expedição, a tripulação a bordo da espaçonave Orion fez um sobrevoo ao redor do satélite natural da Terra.
A viagem marcou o retorno à Lua após 53 anos. Por a espaçonave não pousar no satélite natural, tampouco haver a descida da tripulação, igual fizeram os astronautas Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin, em 20 de julho de 1969, na Missão Apollo 11, pareceu um retrocesso.
O Projeto Apollo
A Nasa lançou oficialmente o programa Apollo em julho de 1960. À época, os Estados Unidos e a antiga União Soviética protagonizavam a Guerra Fria. Um dos confrontos das potências foi travado fora da Terra na chamada Corrida Espacial. Dessa forma, o projeto objetivou:
- Desenvolver tecnologia para atender aos interesses nacionais dos Estados Unidos no Espaço;
- Alcançar a supremacia espacial;
- Executar programa de exploração científica da Lua;
- Desenvolver a capacidade humana para trabalhar no ambiente lunar.
Em 27 de janeiro de 1967, foi lançada a Missão Apollo 1, que seria o primeiro voo tripulado. Entretanto, um incêndio consumiu o módulo de comando e todos os astronautas morreram. Em 11 de outubro de 1968, foi empreendida a Missão Apollo 7, na qual a tripulação fez voo de 10 dias em órbita da Terra.
Em 21 de dezembro de 1968, a Missão Apollo 8 fez a primeira viagem do programa em direção à Lua. Similarmente à Artemis II, a tripulação de três astronautas fez um sobrevoo ao redor do satélite natural.
Em 18 de maio de 1969, a Nasa lançou a Missão Apollo 10. A expedição testou todos os componentes que viabilizaram o pouso lunar com a Apollo 11.
Depois da emblemática viagem sob o comando de Neil Armstrong, outros 10 astronautas das empreitadas seguintes caminharam pela superfície da Lua. A última expedição, a Missão Apollo 17, foi lançada em 7 de dezembro de 1972. Ao todo, de 1968 a 1972, 24 norte-americanos foram em direção ao satélite natural da Terra.
O Projeto Artemis
O programa Artemis reúne componentes de outras empreitadas da Nasa que foram canceladas. Estabelecido em 2017, o objetivo do projeto é explorar mais a Lua a fim de consolidar as bases para missões tripuladas a Marte. Para isso, é necessário construir a infraestrutura de viagens ao satélite natural, desativada com o fim do Programa Apollo, com tecnologia, segurança e estrutura diferentes da era anterior de expedições.
Em 16 de novembro de 2022, a Nasa lançou a Missão Artemis I. A viagem consistiu em um teste de voo da espaçonave Orion sem tripulação para além da Lua.
Com os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, a Missão Artemis II analisou e documentou as características da superfície lunar. Além disso, a expedição teve como objetivo verificar se o foguete lunar SLS e a espaçonave espacial Orion estão em perfeito estado de funcionamento, na esperança de abrir caminho para um retorno e um pouso na Lua em 2028.
O prazo desperta ceticismo entre os especialistas, em parte porque depende dos avanços tecnológicos do setor privado. Os astronautas precisarão de um segundo veículo para descer até a superfície lunar, um módulo de pouso que ainda está em desenvolvimento por empresas espaciais rivais, pertencentes a Elon Musk e Jeff Bezos, a SpaceX e a Blue Origin, respectivamente.
O teste do módulo de pouso está programado para 2027, a ser realizado pela Missão Artemis III. A descida de uma tripulação na superfície da Lua ocorrerá na Missão Artemis IV.
Atrasos e pressão de Trump
A expedição estava inicialmente prevista para ser lançada em fevereiro. Entretanto, contratempos atrasaram e obrigaram o foguete da Nasa a retornar ao seu hangar para análises e reparos.
Além dos atrasos, a missão sofre pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acelerou o ritmo do projeto. Por isso, foi estipulada a meta de que os astronautas pisem na superfície lunar antes de 2029, quando termina o mandato do republicano.
Via: Jovem Pan