Presidentes de Taiwan e China têm reunião histórica em Cingapura
07/11/2015 08:57 em Mundo

Xi Jinping (direita) e Ma Ying-jeou (esquerda) trocam cumprimentos antes do encontro em Cingapura (Foto: Roslan Rahman/AFP)

 

China e Taiwan não têm relações há 66 anos. Estudantes e ativistas protestam contra encontro.

Da EFE

O presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, chegou neste sábado (7) a Cingapura, cidade na qual se reunirá com seu colega chinês, Xi Jinping, no primeiro encontro dos líderes destes países desde a cisão política de ambos há 66 anos.

Em sua chegada, Ma e sua comitiva se transferiram para o Hotel Shangri-La, no qual está prevista a histórica cúpula por volta das 15h locais (5h de Brasília), e que está cercado por fortes medidas de segurança desde o início da manhã.

Durante um minuto, Xi e Ma mantiveram um aperto de mão perante as câmaras de centenas de jornais e TVs, antes de irem com suas delegações para uma discussão de uma hora de duração no luxuoso Shangri-La Hotel. O encontro começou com breves discursos de ambos os presidentes, que foram transmitidos pela televisão, antes do início da conversa a portas fechadas.

Xi afirmou que China e Taiwan deram hoje "um passo histórico" e que devem trabalhar juntas "sem importar as dificuldades".

"Somos família, e o sangue é mais espesso do que a água", declarou o presidente Xi em alusão a comum cultura e história da China e de Taiwan, separadas pelo Estreito de Formosa e por 66 anos de conflito.

Conforme o acerto feito antes da reunião, Xi não se dirigiu a Ma com o habitual tratamento de "o senhor presidente", já que a China não reconhece Taiwan como Estado, e utilizou a apenas a expressão "o senhor".

"Os povos de ambos os lados do Estreito trabalharam duro para termos uma História em comum", afirmou o líder.

De acordo com ele, os dois países vivem "um momento decisivo" no qual "não se pode repetir a tragédia histórica e não se podem perder os frutos do que já foi desenvolvido".

"Somos responsáveis pela história e devemos tomar decisões sábias. Temos que atuar juntos e mostrar aos povos de ambos os lados do Estreito que temos a habilidade para desenvolver a estabilidade e gerar a paz", concluiu Xi.

Ma, por sua vez, concordou que a reunião "marca a história do futuro das relações" e ressaltou que, apesar das duas partes terem "diferentes sistemas políticos", elas desenvolveram "o diálogo e a cooperação".

Após repassar através de dados a melhora da relação durante os últimos 22 anos, Ma salientou que é preciso continuar progredindo e em buscando "uma estratégia pragmática" para aumentar os vínculos bilaterais. Ele propôs cinco pontos concretos, entre eles reduzir a animosidade, criar linhas diretas de comunicação e estabelecer os fundamentos para aumentar as relações comerciais.

Críticas

A cúpula foi criticada por grupos de oposição ao governo do presidente Ma, que integra o partido nacionalista Kuomintang, fundado pelo então líder Chiang Kai-shek, que fugiu para Taiwan após o triunfo da revolução comunista de Mao Tse Tung em 1949.

Os opositores acusam Ma de organizá-la com fins eleitoreiros, já que as eleições acontecem em janeiro de 2016 e as pesquisas indicam que o partido governante será o grande derrotado.

Dezenas de estudantes e ativistas de movimentos sociais se concentraram na manhã deste sábado no aeroporto de Taipé para protestar contra a cúpula, e um de seus porta-vozes, Wang Ting-kai, acusou Ma de realizá-la "sem transparência e sem buscar consenso".

A reunião de Xi Jinping e Ma Ying-jeou acontece em um momento delicado para ambos, pela ascensão do independentismo taiuanês, rival comum e favorito nas eleições legislativas e presidenciais da ilha, previstas para janeiro de 2016.

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